terça-feira, 4 de março de 2014
não fosse dramático e seria uma comédia... vasco pulido no seu melhor... ah, valente!
O grande carnaval
Vasco Pulido Valente, in jornal 'público' 02/03/2014
As presidenciais hão-de espantar o mundo.
"Num partido em que os “notáveis” só se preocupam com a sua carreira e com os seus “negócios” não admira que já haja três candidatos à presidência da República e que a questão se discuta ardorosamente por aí. Os três candidatos são Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e Santana Lopes e todos fazem a sua humilde corte ao PSD, de que precisam para ser candidatos, primeiro, e eleitos, depois.
É difícil escolher o pior. Mas como nenhum, por mais que se esforçasse, poderia ser pior do que o Prof. Cavaco, o país, que devia andar aterrado, anda tranquilo. De resto, o estatuto e a influência do Presidente cairam tanto de há vinte anos para cá que ele se tornou num ornamento inócuo do regime, a que ninguém atribui especial importância e que desceu, por sua própria conta, a angariador de investimentos para Portugal.
De qualquer maneira, este extraordinário trio talvez nos consiga divertir no meio da desgraça. É pena que Marcelo nos prive da sua missa dominical, em troca da vista de Belém, embora talvez nos compense com a sua inclinação para o inesperado e a sua congénita malícia política: o país precisa que o agitem. Pedro Santana Lopes apareceu agora, desde que lhe deram a Misericórdia, com um arzinho de frade franciscano, que lhe fica bem e o ajuda a competir com o Papa. E Durão Barroso teoricamente traz consigo um cheiro a Europa de que os portugueses sempre gostaram. Claro que nada disto se consegue levar a sério. Mas na tristeza do dia-a-dia o absurdo distrai e até consola. Verdade que os três candidatos (ou “proto-candidatos”), não chegam para uma orquestra. Nem se pede tanto, com as dificuldades da Pátria: hoje basta um trio enquanto o “Titanic” se afunda.
À esquerda, esvoaça muito discretamente o inevitável António Costa. Sócrates levaria o PS a um prodigioso desastre. E não se consegue imaginar outra “figura” do partido, que razões de idade ou de currículo não afastem dessa miserável aventura. Em compensação, não nos faltam excêntricos com mais de 35 anos, que se acham perfeitamente capazes de nos pastorear com a gravidade e a elegância com que discursam em reuniões de acaso ou escrevem artigos, assinados “director”, “gestor” ou “professor universitário”. Portugal está cheio de videntes com a cura para a crise no bolso, que sonham com uma oportunidade de passar à prática. E também o Bloco e similares se preparam com certeza para arejar as suas querelas teológicas a benefício das massas que não os compreendem. As presidenciais hão-de espantar o mundo."
terça-feira, 9 de abril de 2013
pobre portugal!
rendas e ppp, continuam a ser um cancro na despesa pública. parece que o governo psd/cds não toma as medidas adequadas para reduzir a despesa por falta de coragem! cavaco e passos coelho deveriam saber que a cobardia tem um preço elevado...
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
novos pobres?
já não bastava um presidente pedinte. agora são os 'magistrados a passar fome'. os mais pobres e desfavorecidos, nomeadamente desempregados e pensionistas com pensões de miséria merecem um pouco mais de respeito. haja bom senso nas declarações públicas dos órgãos de soberania...
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/maria-jose-morgado-morgado-justica-magistrados-diap-tvi24/1321474-4071.html
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/maria-jose-morgado-morgado-justica-magistrados-diap-tvi24/1321474-4071.html
terça-feira, 11 de outubro de 2011
discriminação laboral
a leitura do livro "Discriminação da Terceira Idade", de sibila marques, editado pela fundação francisco manuel dos santos, deixa-me a interrogação se as empresas que praticam o idadismo ("De modo semelhante ao que sucede nos casos do racismo e do sexismo, o idadismo refere-se, de um modo geral, a atitudes e práticas negativas generalizadas em relação a indivíduos, baseadas somente numa característica – a sua idade (Kite, Stockdale, Whitley, & Johnson, 2005)" - e penso no historial da minha edp - merecem serem consideradas líderes nos 'índices dow jones de sustentabiliade'?
idadismo
no próximo dia 11 de outubro, na fundação antónio de almeida, no porto, um evento com a participação de manuel clemente (bispo do porto), adriano moreira, sobrinho simões, daniel serrão, entre outros, para reflectir sobre
"como diagnosticar o papel dos mais velhos, aproveitar a sua sabedoria e torná-la útil ao país?"
como seria bom que os administradores das grandes empresas portugueses (galp, pt, edp, e...) tivessem disponibilidade para participar e coragem para acabar com o idadismo nas suas organizações, avaliando e promovendo as pessoas pelas suas capacidades e competências e não pela sua idade.
"como diagnosticar o papel dos mais velhos, aproveitar a sua sabedoria e torná-la útil ao país?"
como seria bom que os administradores das grandes empresas portugueses (galp, pt, edp, e...) tivessem disponibilidade para participar e coragem para acabar com o idadismo nas suas organizações, avaliando e promovendo as pessoas pelas suas capacidades e competências e não pela sua idade.
bailinho da madeira
jardim, qual robin hood, grotesco é certo, ganhou as eleições regionais com maioria absoluta para espanto de muita gente. o povo da madeira escolheu quem pensa que melhor defende os seus interesses. o alberto joão é um aldrabão, gritam os bem pensantes! é verdade, mas também o isaltino, a fátima felgueiras, o mesquita machado e outros autarcas dinossauros não são flor que se cheire em termos de honestidade.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Padre Carlos

Faleceu Padre Carlos Galamba, 'director' da Obra da Rua logo após a morte de Padre Américo. Jovem engenheiro nos anos 50, podia ter tido uma carreira de sucesso mas escolheu seguir o exemplo de Pai Américo e servir os mais pobres.
A Obra da Rua ficou mais pobre, a Igreja ficou mais pobre, nós, gaiatos, ficamos mais órfãos...
Como ‘gaiato’, orgulhoso do meu humilde percurso pessoal e profissional, permitam-me deixar um modesto testemunho sobre Padre Carlos, um homem inteligente e culto, íntegro e discreto que teve forte impacto na minha vida e na de muitos gaiatos. Um homem que há mais de 50 anos, contra a vontade de seu pai, abandonou uma prometedora carreira de engenheiro electrotécnico para se tornar padre e seguir Pai Américo, de quem se tornou discípulo leal e predilecto, denunciando publicamente, em igrejas e salas de espectáculos, as injustiças sociais, a desigualdade e indiferença de muitos, a falta de assistência aos doentes e a promiscuidade de muitas famílias.
Numa sociedade dilacerada pela fome e pela miséria, progenitoras da marginalidade e da delinquência, Padre Carlos seguiu e viveu intensamente a opção franciscana de combate à exclusão social das “crianças e jovens mais desfavorecidos e mais desfigurados na sua dignidade humana, vítimas de tantos atropelos” abdicando há mais de 50 anos uma carreira de Padre Carlos foi um homem generoso e austero que vivendo e lutando por um ideal cristão despoletou na maioria de nós, rapazes da rua, mais afectos que raivas, mesmo quando as nossas divergências pareciam insuperáveis. Foi um acérrimo defensor da pedagogia e da doutrina de Pai Américo respeitando o lema de ‘Obra de Rapazes, para Rapazes, pelos Rapazes’. Tal como Pai Américo, procurou ser “um revolucionário pacífico, um pobre que sangra, um pai que chora, um português que ama!"
Padre Carlos manteve a inovadora pedagogia de Pai Américo, alicerçada na auto-educação e na co-responsabilização como caminho seguro para um bom trabalho educativo. Uma pedagogia que tem por base a mais elementar célula social: a família. E de facto, somos uma família – com as virtudes e as fraquezas de qualquer família numerosa.
Contra todas as contrariedades, Padre Carlos dedicou a sua a sua vida à realização do sonho de Pai Américo que tornou seu - “fazer de cada gaiato um Homem!”. Também Padre Carlos foi para mim referência ética de relevo, incutindo neste então pequeno vadio das ruas do Porto, adolescente rebelde, os valores éticos e princípios de vida cada vez mais ignorados – solidariedade, justiça social, liberdade na responsabilidade, entre outros, permitindo transformar este “lixo da rua” em pessoa de bem, que sente orgulho em afirmar que muito do que é o deve ao facto de ter sido "gaiato"!
Nesta hora de tristeza para mim e para muitos gaiatos, mas de alegria para Padre Carlos pois vai poder encontrar-se com o seu Deus e com Pai Américo, quero apenas dizer-lhe que ficará sempre guardado no cantinho mais terno do meu coração, onde resguardo as pessoas que me são mais queridas.
Obrigado, por tudo, Padre Carlos!
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